PPGMC 20 anos: Fernando Kokubun relembra a criação do Programa e sua implantação

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PPGMC 20 anos

Mensagem comemorativa pelos 20 anos do Programa de Pós-Graduação em Modelagem Computacional

Em 2026, o Programa de Pós-Graduação em Modelagem Computacional da Universidade Federal do Rio Grande (PPGMC/FURG) celebra 20 anos de trajetória dedicada à formação acadêmica, à pesquisa científica e ao desenvolvimento da ciência na FURG.

Para marcar essa data, o Programa reúne mensagens de pessoas que fizeram parte da construção de sua história e contribuíram para sua consolidação ao longo dessas duas décadas.


Primeiro coordenador do PPGMC

Prof. Fernando Kokubun

Prof. Fernando Kokubun A história do Programa de Pós-Graduação em Modelagem Computacional (PPGMC) começou a ser construída muito antes da aprovação pela CAPES, em 2006. O professor Fernando Kokubun, primeiro coordenador do Programa, relembra que a criação do PPGMC foi resultado de um esforço coletivo em um período em que a Universidade Federal do Rio Grande (FURG) buscava ampliar sua atuação na pós-graduação.

Segundo Kokubun, quando ingressou na FURG, em 1997, a instituição ainda contava com poucos programas de pós-graduação, concentrados principalmente na área de Oceanografia.

"A existência de programas de pós-graduação era um dos itens considerados na matriz orçamentária, e a FURG possuía poucos programas. Por isso, existia um incentivo da Reitoria para a criação e implementação de novos programas de pós-graduação que pudessem fortalecer a universidade."

As primeiras iniciativas envolveram discussões sobre uma pós-graduação em parceria com a Universidade Federal de Pelotas (UFPel), proposta que acabou não sendo concretizada. Paralelamente, a contratação de novos docentes e a ampliação do quadro de professores doutores abriram caminho para um novo projeto.

Como ainda não havia massa crítica suficiente para programas disciplinares em Física, Matemática ou Engenharia, a alternativa encontrada foi construir uma proposta interdisciplinar.

"Começamos a pensar em uma proposta de pós-graduação multidisciplinar."

Uma comissão formada por professores de diferentes áreas passou a elaborar o projeto. Entre as primeiras discussões esteve, inclusive, a escolha do nome do Programa.

"Discutimos bastante os nomes possíveis: Computação Científica, Modelagem Numérica, Simulação Numérica, Modelagem Científica. No final, optamos pelo nome Modelagem Computacional."

Durante a elaboração da proposta, os docentes buscaram apoio externo para aperfeiçoar o projeto. Uma visita ao Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), no Rio de Janeiro, permitiu discutir a proposta com especialistas da área e incorporar sugestões antes da submissão à CAPES.

Apesar do trabalho desenvolvido, a primeira avaliação da proposta foi negativa. O principal ponto levantado pelos avaliadores dizia respeito ao caráter multidisciplinar do Programa.

Kokubun lembra que essa fragilidade já era conhecida pelos próprios proponentes.

"Nós tínhamos consciência de que essa era uma das principais fragilidades da proposta: a falta de projetos de pesquisa em que as diferentes áreas realmente trabalhassem em conjunto."

A resposta ao parecer da CAPES deu origem ao principal argumento que marcou a defesa do Programa.

"Nós defendíamos que a multidisciplinaridade não é algo que simplesmente surge de forma natural; ela é construída. É preciso criar espaços, oportunidades e condições para que pesquisadores de diferentes áreas possam trabalhar juntos."

O recurso foi aceito e o Programa acabou sendo aprovado, permitindo o início das atividades em 2006.

Os primeiros meses de funcionamento foram marcados por limitações de infraestrutura. Sem secretaria própria e com poucos recursos administrativos, a equipe precisou estruturar o Programa enquanto conduzia o primeiro processo seletivo e organizava as disciplinas.

Nesse período, Kokubun faz questão de reconhecer o papel da equipe de apoio, especialmente da estagiária que auxiliou a secretaria nos primeiros anos.

"Essa experiência mostra que, para que uma pós-graduação funcione bem, precisamos de uma equipe de apoio muito boa. A universidade precisa ser pensada como uma construção conjunta entre professores e servidores técnico-administrativos."

Após um ano na coordenação, o professor deixou a gestão do Programa e, em 2009, transferiu-se para o campus de Santo Antônio da Patrulha. Ao recordar os 20 anos do PPGMC, destaca que a consolidação do Programa foi resultado do trabalho coletivo de muitos docentes e técnicos que deram continuidade ao projeto iniciado em 2006.

"A consolidação de um programa é algo muito mais difícil do que sua criação. É um processo que exige muito esforço, dedicação e trabalho coletivo."

Ao final do depoimento, Kokubun celebra a trajetória construída pelo PPGMC e agradece por ter participado de sua criação.

"Deixo meus parabéns a todos que participaram dessa história. Fico muito feliz por ter podido contribuir, ainda que com uma pequena parte, para o início desse programa."